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11 de novembro de 2011

ouvir

"...ouvir é dos trabalhos mais duros que existem. Por isso escolhi a oncologia em vez da psiquiatria. Os cancerosos não dizem:- repita lá isso, doutor."

Inês Pedrosa em "Os íntimos"

6 de setembro de 2011

imediata

...os homens veem o desejo como as mulheres veem a culpa, como uma coisa com braços e pernas e rosto e olhos, imediata...
inês pedrosa


9 de agosto de 2011

food for thought


...Estamos sós num universo agreste, e temos consciência da brutalidade dessa solidão. Fomos, desde sempre, educados para a autonomia, o desempenho e, em caso de necessidade, para o heroísmo. Aprendemos desde crianças a resistir à mágoa dos pormenores. Não nos iludimos, nem crescemos na esperança das ocasiões felizes. Fomos treinados para transformar os desgostos em acasos, e para sufocar na rotina do trabalho. Não exigimos aos outros um comportamento ético exemplar; guardamos as forças da exemplaridade para as grandes guerras, os momentos de catástrofe, se os houver...
Inês Pedrosa  - Os íntimos

27 de junho de 2011

na lata

...as mulheres exigem explicações, não suportam a natural irracionalidade da vida...nunca compreendem a decadência do desejo (...) O sexo gasta-se. As mulheres parecem não perceber que o sexo se gasta muito depressa, Talvez sejam mais hábeis com a imaginação. Ou com a mentira. O corpo de uma mulher adapta-se à mentira, como a tudo. O corpo de um homem é verdadeiro como um hospital. Nunca mente. Por mais que ele queira, não mente. Não sabe...
Inês Pedrosa em Os Íntimos

18 de maio de 2011

multidão

...o que sei das mulheres, meus amigos, é isto: elas são muita gente ao mesmo tempo...
Inês Pedrosa

1 de maio de 2011

um gostar

...eu gosto das pessoas com um carinho de entomologista, se quiseres. Ou com a piedade dos ateus, que são os mais capazes de aceitar a falibilidade humana...
Inês Pedrosa

25 de abril de 2011

a dificuldade

...ninguém sabe despedir-se de nada - não inventamos a eternidade para evitarmos as despedidas?

 Inês Pedrosa

22 de março de 2011

fazes-me falta

...tu sombriamente, amavas o que eu não dava - o ressentimento, a insegurança, a maternidade. Gostavas de me ver falhar, e não era por vaidade ou piedade, como geralmente acontece entre amigos. O meu lado medíocre não te excitava os melhores instintos. Amavas simplesmente a minha terra como uma criança ama uma pedra, um boneco, um urso sem olhos. É esse amor que agora me falta - o sujo, cotidiano amor dos momentos maus, das frases adversas, das ausências. Fotografava-mes em fúria, descabelada, a dormir de boca aberta, a lamber a tampa do iogurte. Ou tantas vezes, com os olhos inchados de chorar. E eu ficava bem na foto.
Tão efêmeras, as cumplicidades radiosas. Encontros de pele, de ideias, de atmosferas...acreditava que o sentido da minha vida estava nesses encontros, e confronto-me agora com a falta que tu me fazes...

Inês Pedrosa em Fazes-me falta